A benção do primogênito

A benção do primogênito
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Gostaria de compartilhar hoje sobre a bênção de Jacó e Esaú. Eles eram irmãos gêmeos, mas não idênticos, pois um era cabeludo e o outro era liso. Esaú era o filho primogênito, mas Jacó nasceu segurando os irmãos pelo calcanhar, por isso foi chamado de suplantador.

Com o passar do tempo, ficou claro que Jacó tinha um coração para apreciar e desejar a bênção da primogenitura, enquanto seu irmão era indiferente a isso. Até que um dia Esaú chegou cansado de uma caçada e decidiu vender o direito da bênção da primogenitura em troca de um prato de lentilhas.

A bênção da primogenitura incluía uma porção dobrada em relação aos outros irmãos e também uma posição sacerdotal para conduzir os outros a Deus, uma autoridade real espiritual e a capacidade de profetizar a bênção de Deus. Assim, vemos que a bênção da primogenitura incluía uma unção sacerdotal, real e profética.

Quando chegou o tempo de Isaque liberar a bênção ao primogênito, Jacó se disfarçou fazendo-se como o seu irmão, colocando pelos de cabras sobre os braços e roupas do seu irmão com o fim de enganar Isaque e receber a bênção. Embora Deus não aprovasse as ações de Jacó, o Senhor se agradou do seu coração desejoso de receber a bênção.

Então, lhe disse Isaque, seu pai: Chega-te e dá-me um beijo, meu filho. Ele se chegou e o beijou. Então, o pai aspirou o cheiro da roupa dele, e o abençoou, e disse: Eis que o cheiro do meu filho é como o cheiro do campo, que o SENHOR abençoou; Deus te dê do orvalho do céu, e da exuberância da terra, e fartura de trigo e de mosto. Sirvam-te povos, e nações te reverenciem; sê senhor de teus irmãos, e os filhos de tua mãe se encurvem a ti; maldito seja o que te amaldiçoar, e abençoado o que te abençoar. (Gn 27.26-29)

O Senhor tem sempre a melhor bênção para liberar sobre os seus filhos. Nós somos como Jacó, nós recebemos a bênção do primogênito. Não somos o primogênito, mas a bênção dele veio sobre nós.

Hoje, na verdade, somos chamados de a “igreja dos primogênitos” (Hb 12.23). Assim, podemos crer que a bênção de Jacó está sobre a nossa vida.

Vamos entender cada elemento da bênção do primogênito.

Deus te dê

Em primeiro lugar, a bênção de Deus não é conquistada pelo nosso esforço ou merecimento, mas ela nos é dada. Nós simplesmente recebemos de Deus. Quando Deus dá, ninguém pode tomar. Procure receber todas as coisas em sua vida em vez de conquistá-las. Saúde, prosperidade, casamento feliz, ministério frutífero, tudo isso é simplesmente recebido de Deus à parte de nossas obras. “Pede-me e eu te darei as nações e as extremidades da terra por tua possessão”, diz o Senhor.

Muitos tentam conquistar aquilo que já é deles. Isso faz com que percam muito tempo até que vejam a bênção de Deus.

Uma das verdades mais extraordinárias da Palavra de Deus é que as coisas do céu são recebidas, e não conquistadas. O homem pensa que, para que Deus o abençoe, ele precisa merecer, ser digno do favor e da bênção de Deus por seus próprios esforços. Esta, no entanto, não é a maneira de Deus agir. Muitos não vivem a realidade da bênção porque simplesmente não conseguem receber.

Vivemos em um mundo onde somos desafiados a fazer e a conquistar sempre confiando em nossos esforços. No mundo, somos instigados a fazer, mas no cristianismo devemos entender que já está feito.

Em vez de dependerem da graça de Deus e seu favor para que as bênçãos fluam, os crentes dependem de seus próprios esforços para tentar merecer a bênção de Deus. Mas você não pode receber a bênção de Deus com base em seu próprio desempenho. Elas são inteiramente baseadas na graça de Deus.

Do orvalho do céu

Primeiro recebemos do céu, depois desfrutamos do que está na terra. E a primeira coisa com a qual somos abençoados é com o orvalho do céu. O que é o orvalho do céu? Se todas as bênçãos mencionadas aqui são naturais, então não precisamos da bênção do primogênito. Precisamos apenas ser fazendeiros, pois o orvalho natural cai sobre bons e maus, justos e injustos. Então, o orvalho aqui deve apontar para algo espiritual.

Como o bramido do leão, assim é a indignação do rei; mas seu favor é como o orvalho sobre a erva. (Pv 19.12)

O orvalho aponta para o favor, a graça de Deus. Receber o orvalho do céu é o mesmo que receber o favor do céu. Se você tem ouvido algum bramido de leão, não é do Leão da Tribo de Judá, mas daquele que anda em derredor como leão, sem, contudo, ser um leão. O que está sobre nós hoje é o favor do rei como orvalho do céu.

Talvez você não possui uma formação universitária, não tem amigos importantes, veio de uma família pobre ou possui alguma deficiência física, mas você hoje tem o mais importante, o Senhor liberou o favor do céu sobre a sua vida, e isso é tudo o que importa. Se o céu o favorece, os anjos vão trabalhar por você.

Numa ocasião, o Senhor falou com Gideão, dizendo que ele venceria os inimigos. Gideão, porém, pediu um sinal.

Eis que eu porei uma porção de lã na eira; se o orvalho estiver somente nela, e seca a terra ao redor, então, conhecerei que hás de livrar Israel por meu intermédio, como disseste. E assim sucedeu, porque, ao outro dia, se levantou de madrugada e, apertando a lã, do orvalho dela espremeu uma taça cheia de água. Disse mais Gideão: Não se acenda contra mim a tua ira, se ainda falar só esta vez; rogo-te que mais esta vez faça eu a prova com a lã; que só a lã esteja seca, e na terra ao redor haja orvalho. (Jz 6.37-39)

O que Gideão não sabia é que tudo isso era um sinal do evangelho. O carneiro aponta para Cristo, assim como a sua lã. Primeiro a lã estava cheia do orvalho, mas tudo ao redor estava seco. Quando Cristo veio, todos nós estávamos secos. Estávamos secos em nossos relacionamentos, nossa saúde e nosso espírito. Espíritos malignos andam por lugares secos e estavam em nossa vida.

O Senhor, porém, era o único que tinha o céu aberto sobre si e era cheio do favor do céu, o orvalho de Deus. Mas, na cruz, o céu se fechou sobre Ele e o fogo da ira de Deus caiu sobre a lã, tornando-a seca, para que agora todos nós ao seu derredor pudéssemos ser encharcados com o orvalho do favor de Deus. É assim que recebemos o orvalho do céu.

E da exuberância da terra

Mais uma vez, a bênção não se refere a coisas naturais, pois, nesse caso, teríamos de nos tornar fazendeiros e nem precisaríamos da bênção do primogênito. A palavra “exuberância” no original hebraico é gordura. Isso aponta para a unção do Espírito Santo.

É precioso que as palavras exuberância e fartura venham juntas, pois o que o Senhor tem para nós é sempre algo grande e exuberante. Os pobres ofereciam pombinhos diante de Deus, mas os ricos traziam bois cheios de gordura. O que o Senhor tem para nós é sempre plenitude, abundância e riqueza.

E fartura de trigo e de mosto

O trigo e o mosto apontam para o pão e o vinho, isso evidentemente aponta para a Ceia do Senhor.

O trigo e o vinho representam os elementos da Ceia, enquanto o azeite aponta para o óleo da unção. Esses três elementos colocados juntos nos farão mais abençoados do que todos os povos. Isso nos mostra que precisamos ter revelação da importância da Ceia e da unção com óleo.

Em muitos lugares das Escrituras, nós encontramos um grupo de três produtos reunidos: cereal (trigo), vinho e azeite. Esses três elementos representam a provisão completa de Deus para o seu povo.

O pão procede do trigo que foi moído. Cristo foi moído como um grão de trigo na cruz para que hoje ele possa ser o pão que nos satisfaz. Se, ao comer o pão, você entender como o trigo foi moído, você receberá cura e saúde para o seu corpo.

O vinho é resultado da uva que foi pisada e prensada. O Senhor Jesus é a videira que se tornou o vinho para a nossa salvação. Quando tomamos o cálice e compreendemos como a uva foi pisada na cruz, nós somos lavados e justificados diante de Deus.

É interessante que a última coisa que o Senhor fez com os seus discípulos antes de sua morte foi celebrar a Ceia e, depois da sua ressurreição, a primeira coisa que Ele fez foi celebrar a Ceia com os dois discípulos que iam no caminho de Emaús. E Ele fez isso no mesmo dia que ressuscitou. Isso mostra como a Ceia é importante, ela deve estar presente do começo ao fim.

Todas as bênçãos de Deus procedem do pão, do vinho e do óleo.

Ele te amará, e te abençoará, e te fará multiplicar; também abençoará os teus filhos, e o fruto da tua terra, e o teu cereal, e o teu vinho, e o teu azeite, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas, na terra que, sob juramento a teus pais, prometeu dar-te. Bendito serás mais do que todos os povos; não haverá entre ti nem homem, nem mulher estéril, nem entre os teus animais. O SENHOR afastará de ti toda enfermidade; sobre ti não porá nenhuma das doenças malignas dos egípcios, que bem sabes; antes, as porá sobre todos os que te odeiam. (Dt 7.13-15)

Depois que o Senhor nos dá o pão, o vinho e o azeite, então seremos mais abençoados que todos os povos e o Senhor afastará de nós toda enfermidade.

Sirvam-te povos, e nações te reverenciem

Se fôssemos colocar essa expressão na linguagem de hoje diríamos: “Que corporações e companhias te sirvam! Que bancos se curvem diante de você!” Isso não significa que você vai dominá-los, mas que eles terão interesse em trabalhar por você. Eles virão atrás de você.

Maldito seja o que te amaldiçoar, e abençoado o que te abençoar

Essa bênção foi primeiro liberada a Abraão, mas agora vemos que também está sobre a sua descendência, que somos nós.

Maldições podem ser proferidas ou escritas. A promessa é que aqueles que nos amaldiçoarem serão amaldiçoados. Aquele que se levanta contra nós, na verdade, se levanta contra Deus. É por isso que o Senhor Jesus disse que devemos abençoar aqueles que nos amaldiçoam, pois quando nos amaldiçoam, eles trazem sobre si terríveis maldições, e precisamos ter compaixão por eles.

Todos os impérios que se levantaram contra Israel foram destruídos. Isso está comprovado na história. O povo de Israel não era perfeito, mas estava debaixo da aliança. Nós também não somos perfeitos, mas desfrutamos da mesma bênção. É uma coisa perigosa se levantar contra nós.

Depois que Isaque abençoou Jacó, Esaú veio e pediu para receber a mesma bênção, mas a resposta de Isaque foi muito poderosa. Ele disse: “Eu abençoei, e a bênção não pode ser revertida. Ele está abençoado”. Isso é uma palavra para nós, a nossa bênção não pode ser revertida. Jacó não foi abençoado porque era melhor que Esaú e nem nós o somos por causa de nosso merecimento. Se não foi o nosso merecimento que nos capacitou a receber a bênção, não será a falta de merecimento que poderá nos fazer perdê-la. A sua bênção é irreversível (Gn 27.34-40).

Perguntas para compartilhar:

– Como você espera ser abençoado por Deus? (Como você tem vivido a realidade da bênção de Deus)?
– De que maneira a graça de Deus tem sido realidade em sua vida cristã?

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